sexta-feira, 1 de julho de 2011

Um rabisco, uma história, algumas vidas, e a morte como renascimento

Encontrei esses rabiscos psicodélicos aqui, que eu ousei chamar de conto... leia quem tiver coragem e quiser perder alguns minutos de sua vida sem ser com álcool ou cigarretes...


...E não há ninguém lá fora, fora os zumbis...está tudo acabado!  Seja bem vindo ao fim do mundo...ao fim das esperanças... agora  você descobriu que o mundo e a vida foi só mais uma de tantas mentiras que te contaram... me responda, " e agora José?"
Ian se recusou a acreditar naquelas palavras secas, frias, realistas demais para um espírito sonhador e idealista...
_Para mim ,a festa nunca termina, a música nunca para de tocar, e enquanto a banda tocar, eu estarei vivo, e meus passos me levarão indissoluvelmente à vida que tentas me roubar...
_Você não passa  de um adulto previsível, posso ditar de olhos fechados o roteiro que você irá seguir assim que sair por aquela porta...
Ian abaixou a cabeça por alguns instantes, como quem sente vergonha de si mesmo por não suportar o peso da verdade.Stella  continuou:
_Você sabe que estou certa, sempre estive certa por todo esse tempo... Por mais doentio que seja, eu preciso de você... e você não poderá continuar sem mim...
Ian a observou...detalhe por  detalhe...seus olhos, sua boca, sua blusa entreaberta, onde podia olhar aqueles lindos seios brancos... mas ele olhava além de um decote e um belo par de seios, ele a conhecia além de todo aquele apelo  e domínio  sexual e emocional que ela exercia sobre ele ... ele fitava sua alma...
_Que inferno, porque você torna tudo mais difícil sempre com seu sentimentalismo juvenil???
Ian não retrucou. Pegou o isqueiro, acendeu  o cigarro, continuou a fitá-la...
_Sabe, isso já aconteceu antes, nada  de novo no front, nada de novo no seu discurso que você julga tão seu e original...  apenas reproduz os ecos de um demônio pessoal , tentando me atingir...
Uma lágrima caiu dos olhos daquela complexa, linda, e desgraçada garota...
Simultaneamente um sorriso brotou dos lábios de Ian...
_Você não é um poço de insensibilidade como faz questão de afirmar sempre, nobre devoradora de almas, e sugadora de corações... mesmo que tu tenhas  conseguido tornar meu sangue  gélido, não petrifiquei-me inteiramente, e para seu desespero, lhe incuti doses daquilo que você sente mais ojeriza...
Ela correu até ele, antes que Ian pudesse divagar sobre qualquer outra coisa, teve sua fala interrompida, e sua boca foi calada por um beijo... empurrado contra a parede,sem esboçar nenhuma reação,sentia apenas aquela língua com  gosto de uma droga da qual não conseguia se livrar, sentia o alvorecer da luxúria no toque daqueles seios em seu corpo, sentia a morte e a vida  feito uma dicotomia...  e por alguns instantes o silêncio, e por alguns instantes, os gemidos, os corpos que se devoravam formando apenas um... e por tantas outras horas lágrimas, sorrisos, palavras...
Stella finalmente dormiu... Ian a fitou novamente, feito a canção... “dorme que por ti eu zelo...”...mas ainda feito a canção , sentiu-se como se estivesse correndo “entre gigantes mortos  em castelos no céu...”... até que voltou ao plano real... teria que enfrentar todos os demônios, zumbis e  o que mais fosse encontrar pela frente, quando saísse daquela casa, onde passavam noites e mais noites juntos, na tênue linha que separa o ódio do amor, ou o inverso... vestiu sua  calça, abotoou os botões de sua  camisa, colocou os fones de ouvido...pensou antes de sair, ainda ao fitá-la "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" e este pensamento lhe soou pesado demais...
Foi a última vez que vi Ian... ele estava sentado no banco de uma praça no centro... sei até a música que ele escutava... ao menos um dos versos... dizia : “Não existe amor em s.p...”...eu o matei, sou um dos zumbis...

FIM
Psicografado em 00/00/00
1:16 am – por Luis Perossi


2 comentários:

  1. O "eterno retorno" nos marcadores me intrigou... Até chegou a me causar uma pontadinha de tristeza. Mas, você sabe, sou psicanalista... E astróloga. Enfim, meus pensamentos estão aqui voando como pássaros, e eu já nem sei mais o que eu queria dizer ou pensei. Só queria registrar aqui que li seu texto.... psicografado em 00/00/00...
    E as coisas que importam, você já as sabe.

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